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Agulha magnética: declinação, desvio e os três nortes

Por Equipe CarteiraNáutica ·

Declinação e desvio são a dupla que mais confunde no assunto de instrumentos náuticos, e o motivo é simples: os dois são "o ângulo entre dois nortes". A diferença está em de qual norte se parte.

Este artigo separa os dois com base no Manual de Navegação da Marinha, explica por que o desvio muda conforme a proa da embarcação, e mostra onde encontrar a declinação da sua área.

Existem três nortes

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Antes dos dois ângulos, os três pontos de referência:

Norte Verdadeiro — o norte geográfico, o do meridiano verdadeiro. É fixo: os polos geográficos não mudam de lugar.

Norte Magnético — a direção do meridiano magnético do local, ou seja, para onde uma agulha apontaria se estivesse livre de qualquer outra influência. Os polos magnéticos da Terra variam de posição.

Norte da Agulha — a direção que a sua agulha efetivamente indica a bordo, depois de sofrer a influência dos ferros e equipamentos da própria embarcação.

E os dois ângulos que ligam esses três pontos:

Ângulo Entre quais nortes Depende de
Declinação magnética Norte Verdadeiro e Norte Magnético o lugar e a época
Desvio da agulha Norte Magnético e Norte da Agulha a embarcação e a proa

Esse quadro resolve a maior parte das questões. Declinação é do lugar; desvio é do barco.

Declinação magnética

O Manual define:

"A diferença em direção entre o Meridiano Magnético e o Meridiano Verdadeiro (ou Geográfico), em um determinado lugar, é denominada Declinação Magnética. Da mesma forma, pode-se dizer que a Declinação Magnética em um determinado local é o ângulo entre o Norte Verdadeiro e o Norte Magnético no local."

Ela é expressa em graus e minutos, e recebe uma designação Leste ou Oeste, para indicar de que lado do meridiano verdadeiro está o meridiano magnético.

E varia em duas dimensões:

No espaço. A declinação muda de local para local, por causa das irregularidades das linhas de força do campo magnético terrestre.

No tempo. Enquanto os polos verdadeiros são fixos, os polos magnéticos variam de posição — então a declinação de um mesmo local também muda ao longo dos anos.

É por isso que a declinação vem sempre acompanhada de uma variação anual.

Onde encontrar. As cartas náuticas informam ao navegante, para as áreas nelas representadas, os valores da Declinação Magnética e de sua variação anual. Existem ainda cartas especiais que apresentam:

  • linhas isogônicas — unem pontos de mesma declinação magnética;
  • linhas agônicas — unem pontos onde a declinação magnética é nula.

O Atlas de Cartas Piloto da DHN, aliás, traz as linhas isogônicas impressas.

Desvio da agulha

Em terra, longe de influências, uma agulha magnética livremente suspensa se orienta pelo meridiano magnético. A bordo, não.

O Manual explica por quê: existem outros campos magnéticos, vindos dos ferros e aços de que a embarcação é construída e dos equipamentos elétricos instalados. Eles são de dois tipos:

Magnetismo permanente — as massas de ferro duro (fortemente carburado, como aços e ferros fundidos) adquirem magnetização durante a construção, por influência do campo terrestre, acentuada pelas vibrações e choques da obra. Ela pouco se altera depois, evoluindo muito lentamente. Depende fundamentalmente da proa em que o navio foi construído e do campo magnético do local da construção.

Magnetismo induzido — nas massas de ferro doce (não carburado), a magnetização induzida pelo campo terrestre é temporária e se altera. Depende da proa do navio e do campo magnético do lugar onde ele se encontra — variando, portanto, com o rumo e com a posição.

Resultado: a agulha não aponta para o meridiano magnético, mas para uma outra direção, chamada norte da agulha. E daí a definição:

"O Desvio da Agulha é definido como o ângulo entre o Norte Magnético e o Norte da Agulha."

Por que o desvio varia com a proa

Este é o ponto que separa quem entendeu de quem decorou.

O desvio depende dos ferros da embarcação, dos corretores instalados e da orientação desses em relação ao campo magnético terrestre. Como a embarcação gira, essa orientação muda — e o desvio muda junto.

A imagem que o Manual usa para explicar: suponha todo o material magnético concentrado num bloco colocado na proa. Com a embarcação aproada ao Norte, esse bloco está numa posição em relação à agulha; ao guinar, ele passa para outra, e a influência sobre a agulha muda de intensidade e de sentido.

Consequência prática: não existe "o desvio" da embarcação — existe o desvio para cada proa. É por isso que se levanta uma curva de desvio da agulha, que dá o valor para cada rumo.

Compensação

Os efeitos das correntes elétricas podem ser evitados afastando os equipamentos da agulha. Já os efeitos dos ferros são atenuados pela compensação: a colocação de ímãs corretores que criam campos magnéticos iguais e opostos aos provocados por aqueles ferros. Os corretores ficam instalados na bitácula e são, em geral, ímãs permanentes, barras e esferas de ferro doce.

E a ressalva importante: apesar de a compensação ser prática corrente e obrigatória, normalmente não é possível anular por completo o campo magnético da embarcação. Por isso o desvio residual existe e precisa ser conhecido, não eliminado.

Como deve ser uma boa agulha

O Manual estabelece duas qualidades, e elas são até certo ponto antagônicas:

Sensível — para acusar qualquer variação da proa.

Estável — para indicar firmemente a proa mesmo nas guinadas rápidas, sem se deslocar sob a ação do balanço, do caturro ou da trepidação.

Conciliar as duas se consegue com grande momento magnético, pequeno peso e diminuição do atrito — o que é mais fácil de obter nas agulhas líquidas. As agulhas secas são muito sensíveis mas pouco estáveis, e por isso praticamente não são usadas a bordo.

Como isso cai na prova

A alínea c do programa do Anexo 5-A lista "instrumentos náuticos e eletrônicos, agulha magnética (bússola), odômetro, tacômetro, anemômetro, GNSS, ecobatímetro" — e este é um dos três assuntos que não existiam no programa da NORMAM-03, revogada.

As três cobranças mais comuns:

A definição, por qual norte parte. Declinação: Verdadeiro → Magnético. Desvio: Magnético → Agulha. Trocar os dois é o erro clássico.

De que depende cada um. Declinação: lugar e época. Desvio: embarcação e proa.

Onde se encontra a declinação. Na carta náutica, com a variação anual.

O restante dos instrumentos está em instrumentos náuticos.

FAQ

Qual a diferença entre declinação magnética e desvio da agulha?

Declinação é o ângulo entre o Norte Verdadeiro e o Norte Magnético, e depende do lugar e da época. Desvio é o ângulo entre o Norte Magnético e o Norte da Agulha, e depende da embarcação e da proa.

Por que a declinação magnética muda com o tempo?

Porque os polos magnéticos da Terra variam de posição, enquanto os polos geográficos são fixos. Por isso a declinação vem acompanhada de uma variação anual.

Onde encontro a declinação da minha área?

Na carta náutica: ela informa, para a área representada, o valor da declinação magnética e de sua variação anual. Há ainda cartas especiais com linhas isogônicas e agônicas.

O que são linhas isogônicas e agônicas?

Isogônicas unem pontos de mesma declinação magnética. Agônicas unem pontos onde a declinação é nula.

Por que o desvio muda quando eu guino?

Porque ele depende da orientação dos ferros da embarcação e dos corretores em relação ao campo magnético terrestre — e essa orientação muda com a proa. Por isso se levanta uma curva de desvio, com o valor para cada rumo.

O que é compensação da agulha?

É a colocação de ímãs corretores, instalados na bitácula, que criam campos iguais e opostos aos provocados pelos ferros da embarcação. Ela é prática corrente e obrigatória, mas normalmente não anula por completo o campo magnético da embarcação.

Qual a diferença entre magnetismo permanente e induzido?

O permanente é adquirido pelas massas de ferro duro durante a construção e pouco se altera depois, dependendo da proa de construção. O induzido ocorre nas massas de ferro doce, é temporário e varia com o rumo e com o lugar.

Por que se usa agulha líquida e não seca?

Porque a agulha precisa ser sensível e estável, e a agulha líquida concilia melhor as duas. A agulha seca é muito sensível mas pouco estável, e praticamente não é usada a bordo.

Resumo

São três nortes e dois ângulos. Declinação magnética é o ângulo entre o Norte Verdadeiro e o Norte Magnético — depende do lugar e da época, vem em graus e minutos com designação Leste ou Oeste, e está informada na carta náutica junto com a variação anual.

Desvio da agulha é o ângulo entre o Norte Magnético e o Norte da Agulha — depende da embarcação e, sobretudo, da proa. Por isso não existe um valor único: existe a curva de desvio.

A compensação com ímãs corretores atenua o problema, mas normalmente não o elimina. E a agulha precisa ser sensível e estável ao mesmo tempo — daí a preferência pela agulha líquida.


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