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Balizamento IALA região B: bombordo, boreste e as boias cardinais

Por Equipe CarteiraNáutica ·

O balizamento é a sinalização de trânsito da água: boias e balizas que dizem por onde passar, o que evitar e de que lado está o perigo. O sistema é internacional, criado pela IALA, e tem uma particularidade que confunde muita gente — o mundo é dividido em duas regiões, e as cores dos sinais laterais são invertidas entre elas.

O Brasil está na Região B. E na Região B, bombordo é verde e boreste é encarnado — o inverso do que vale na Europa.

Este artigo cobre o que a prova cobra: a direção convencional que dá sentido a tudo, os sinais laterais da Região B, os sinais de canal preferencial e as quatro boias cardinais, que são as que mais derrubam candidato.

Para que serve o sistema

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O Sistema de Balizamento Marítimo da IALA se aplica a todos os sinais fixos e flutuantes, e serve para indicar:

  • os limites laterais de canais navegáveis;
  • perigos naturais e outras obstruções, como cascos soçobrados;
  • outras áreas ou peculiaridades importantes para o navegante;
  • novos perigos, ainda não cartografados.

Ele se organiza em seis tipos de sinal, que podem ser usados de forma combinada:

Tipo Para que serve
Laterais indicam bombordo e boreste da rota, em canais bem definidos
Cardinais indicam o quadrante onde há águas navegáveis, associados à agulha
Perigo isolado perigo de tamanho limitado cercado por águas navegáveis
Águas seguras águas navegáveis em torno da posição — meio de canal, aterragem
Especiais área ou peculiaridade mencionada em documento náutico; não orienta navegação
Novos perigos perigo ainda não representado em documento náutico

A direção convencional do balizamento

Nada nos sinais laterais faz sentido sem isto: as cores são relativas a um sentido de percurso, não a pontos cardeais.

A direção convencional do balizamento é a direção geral tomada pelo navegante que, vindo do alto-mar, se aproxima de um porto, rio, estuário ou outra via navegável — ou a direção determinada pela autoridade competente.

No Brasil, a direção convencional é sempre vindo do mar e, na navegação fluvial, subindo o rio.

A consequência prática é direta: entrando, os sinais dizem uma coisa; saindo, você os lê ao contrário. O que era o seu bombordo na entrada será o seu boreste na saída.

As duas regiões

Existem duas Regiões Internacionais de Balizamento, e os sinais laterais diferem entre elas.

Região A — países da Europa, da África, da Ásia em sua grande maioria e da Oceania.
Região B — países das Américas do Norte, Central e do Sul, além de Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Filipinas.

Bombordo Boreste
Região A encarnado verde
Região B — Brasil verde encarnado

Se você já navegou na Europa ou estudou por material estrangeiro, é exatamente aqui que a memória atrapalha.

Os sinais laterais na Região B

Sinal de bombordo Sinal de boreste
Cor verde encarnado
Formato (boias) cilíndrico, pilar ou charuto cônico, pilar ou charuto
Marca de tope cilindro verde cone encarnado com o vértice para cima
Luz verde encarnada
Ritmo qualquer, exceto grupos de lampejos compostos (2+1) qualquer, exceto grupos de lampejos compostos (2+1)

Duas ideias fixam isso melhor que a decoreba de cores.

Forma acompanha função. O sinal de bombordo é cilíndrico e sua marca de tope é um cilindro. O de boreste é cônico e sua marca de tope é um cone. A forma da boia e a marca de tope contam a mesma história — e é isso que salva quando a cor está desbotada ou o dia está fechado.

O ritmo (2+1) fica reservado. Nenhum sinal lateral comum usa grupos de lampejos compostos (2+1), porque esse ritmo pertence aos sinais de canal preferencial. Ver (2+1) já informa que você está numa bifurcação.

Canal preferencial: onde o canal se bifurca

No ponto em que um canal se divide, seguindo a direção convencional, o canal preferencial pode ser indicado por um sinal lateral modificado: a cor principal ganha uma faixa larga horizontal da outra cor.

Canal preferencial a boreste Canal preferencial a bombordo
Cor verde com faixa larga horizontal encarnada encarnado com faixa larga horizontal verde
Formato (boias) cilíndrico, pilar ou charuto cônico, pilar ou charuto
Marca de tope cilindro verde cone encarnado com o vértice para cima
Luz verde encarnada
Ritmo grupos de lampejos compostos (2+1) grupos de lampejos compostos (2+1)

A lógica: a cor principal continua sendo a do lado por onde você deve deixar o sinal, como num lateral comum. A faixa avisa que existe um canal secundário do outro lado. E o ritmo (2+1) confirma que é bifurcação.

As boias cardinais

Os sinais cardinais são os que mais confundem, e o motivo é que eles não seguem a direção convencional — seguem a agulha.

Como funcionam. Os quatro quadrantes — Norte, Leste, Sul e Oeste — são delimitados pelas marcações verdadeiras NW–NE, NE–SE, SE–SW e SW–NW, tomadas a partir do ponto de referência, que é o perigo ou a peculiaridade que o sinal indica.

Um sinal cardinal recebe o nome do quadrante em que se encontra. E — esta é a frase que resolve a maioria das questões — o nome do sinal indica o quadrante em que o navegante deve passar, em relação à posição do sinal.

Ou seja: uma cardinal Norte significa "passe pelo norte dela". As águas mais profundas estão do lado que tem o nome do sinal.

Norte Sul Leste Oeste
Cor preta sobre amarela amarela sobre preta preto com faixa larga horizontal amarela amarelo com faixa larga horizontal preta
Formato pilar ou charuto pilar ou charuto pilar ou charuto pilar ou charuto
Marca de tope 2 cones pretos com os vértices para cima 2 cones pretos com os vértices para baixo 2 cones pretos base a base 2 cones pretos ponta a ponta
Luz branca branca branca branca

A marca de tope é o que importa. O manual da DHN é explícito: a marca de tope constituída por dois cones pretos é o indicador diurno mais importante de um sinal cardinal, deve ser usada sempre que praticável, e seu tamanho deve ser o maior possível, com separação visível entre os cones.

E ela é mnemônica se você olhar para o que os cones fazem:

  • Norte — os dois apontam para cima, para o norte da carta.
  • Sul — os dois apontam para baixo, para o sul da carta.
  • Leste — base a base, formando um losango; lembra a letra que se abre no meio.
  • Oeste — ponta a ponta, formando uma cintura; lembra uma taça, e "W" de West.

As luzes cardinais são todas brancas — a diferença está no ritmo, e ele acompanha o mostrador do relógio: Leste em torno de 3 horas usa grupos de três lampejos; Sul em torno de 6 horas usa seis lampejos, seguidos de um lampejo longo; Oeste em torno de 9 horas usa nove lampejos. O Norte, no topo do relógio, usa lampejos contínuos rápidos ou muito rápidos, sem grupo.

Os valores exatos, na descrição da DHN: Sul, grupos de lampejos muito rápidos (6) mais lampejo longo a cada 10 segundos, ou rápidos (6) mais lampejo longo a cada 15 segundos. Leste, grupos de lampejos triplos muito rápidos a cada 5 segundos, ou rápidos a cada 10 segundos. Oeste, grupos de lampejos muito rápidos (9) a cada 10 segundos, ou rápidos (9) a cada 15 segundos.

O lampejo longo depois dos seis lampejos da cardinal Sul existe justamente para não confundi-la com a Leste — em ritmo rápido, seis e três podem ser difíceis de contar.

Como cai na prova

O programa do Anexo 5-A da NORMAM-211 lista, na alínea g, o "Sistema de Balizamento Marítimo da IALA região B, sinais de perigo e sinais diversos" — e o Anexo 3-C da NORMAM-212 traz o mesmo assunto para o Motonauta. As três formas mais comuns de cobrança:

Cor por bordo. "Na região B, a boia de bombordo é de que cor?" — verde. É a questão mais direta e a que a memória europeia estraga.

Marca de tope. Descrição de uma boia por forma e marca, pedindo a identificação. Por isso vale associar cilindro a bombordo e cone a boreste.

Cardinal. Descrição da marca de tope — dois cones ponta a ponta, por exemplo — pedindo por onde passar. Ponta a ponta é Oeste: passe pelo oeste do sinal.

O detalhamento de como o balizamento se encaixa no programa completo está em o que cai na prova de Arrais.

FAQ

Qual a cor da boia de bombordo no Brasil?

Verde. O Brasil está na Região B do sistema IALA, em que bombordo é verde e boreste é encarnado — o inverso da Região A.

Qual a diferença entre a região A e a região B?

As cores dos sinais laterais são invertidas. Na Região A, bombordo é encarnado e boreste é verde; na Região B, bombordo é verde e boreste é encarnado. A Região B abrange as Américas, além de Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Filipinas.

Qual é a direção convencional do balizamento no Brasil?

Sempre vindo do mar e, na navegação fluvial, subindo o rio. É essa direção que define qual lado é bombordo e qual é boreste para efeito dos sinais.

Como leio o balizamento ao sair do porto?

Ao contrário. Os sinais laterais são relativos à direção convencional — que é a de entrada. Saindo, o sinal que estava a bombordo fica a boreste.

O que significa uma boia com faixa larga horizontal?

Nos sinais laterais, indica canal preferencial numa bifurcação. Verde com faixa encarnada: canal preferencial a boreste. Encarnado com faixa verde: canal preferencial a bombordo. O ritmo da luz é de grupos de lampejos compostos (2+1).

Para que servem as boias cardinais?

Para indicar o quadrante em que há águas navegáveis, ou o lado seguro para passar um perigo. O nome do sinal indica o quadrante pelo qual o navegante deve passar.

Como identifico uma boia cardinal?

Pela marca de tope de dois cones pretos, que é o indicador diurno mais importante: vértices para cima é Norte; para baixo é Sul; base a base é Leste; ponta a ponta é Oeste. As luzes cardinais são todas brancas.

Qual a cor da luz das boias cardinais?

Branca, nas quatro. O que as distingue é o ritmo dos lampejos.

Resumo

O Brasil está na Região B do balizamento IALA: bombordo é verde, boreste é encarnado — inverso da Europa. As formas ajudam quando a cor falha: bombordo é cilíndrico com marca de tope cilíndrica; boreste é cônico com cone de vértice para cima.

Tudo isso é relativo à direção convencional, que no Brasil é vindo do mar e, nos rios, subindo. Saindo, leia ao contrário.

Faixa larga horizontal com ritmo (2+1) é bifurcação: a cor principal continua indicando por onde deixar o sinal. E nas cardinais, o que resolve é a marca de tope: dois cones para cima é Norte, para baixo é Sul, base a base é Leste, ponta a ponta é Oeste — e o nome diz por onde passar.


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