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Tábua de marés: como consultar e por que ela não é a profundidade

Por Equipe CarteiraNáutica ·

A Tábua de Marés dá as horas e as alturas das preamares e baixa-mares previstas para cada dia. O erro mais comum ao usá-la não está na leitura — está na interpretação do número: a altura da tábua não é a profundidade do lugar. Ela é uma parcela dela.

Este artigo mostra como consultar a publicação da DHN, o que cada linha da página informa, e a conta que transforma a altura da maré em profundidade real.

O que é a publicação

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As Tábuas das Marés são uma publicação editada anualmente pela DHN. Na edição de 2021, elas traziam a previsão para 54 principais portos, terminais, barras, ilhas oceânicas e fundeadouros brasileiros, relacionados do Norte para o Sul, mais o fundeadouro da Estação Antártica Comandante Ferraz, na Baía do Almirantado.

Além da previsão diária, a publicação contém:

  • duas tabelas para determinação da altura da maré em um dado instante — ou seja, entre uma PM e uma BM;
  • informações para a previsão das marés na baía de São Marcos;
  • explicações para o uso de método expedito de previsão;
  • uma tabela de fases da Lua.

Essa última é mais útil do que parece: ela é o atalho para saber se o dia é de sizígia ou de quadratura, o que muda a amplitude esperada — assunto de marés de sizígia e de quadratura.

Como ler a página de um porto

Cada página traz um cabeçalho de três linhas e depois a previsão. A estrutura, conforme o Manual de Navegação:

Primeira linha — nome do porto, terminal, barra, ilha oceânica ou fundeadouro; o Estado da Federação ou país; e o ano a que se referem as previsões.

Segunda linha — as coordenadas geográficas da estação maregráfica e o fuso horário adotado.

Terceira linha — a sigla da instituição responsável pelas observações, o número de componentes harmônicas usadas na previsão, a cota do Nível Médio sobre o Nível de Redução e o número da Carta Náutica do local.

Em seguida vêm quatro colunas, cada uma referente a um mês, com os elementos da maré dia a dia.

Para cada dia são informadas as horas e as alturas das preamares e baixa-mares previstas:

  • as horas são do fuso horário local e vêm com 4 algarismos — os dois primeiros são as horas, os dois seguintes os minutos;
  • as alturas vêm com 2 algarismos, representando metros e decímetros;
  • as alturas são cotas verticais acima do Nível de Redução;
  • e, eventualmente, quando o número for negativo, a maré estará abaixo do Nível de Redução.

Um exemplo de leitura, tirado do próprio Manual, para Salinópolis em 13 de março de 2021 — dia de Lua nova:

Hora Evento Altura
0156 BM 0,3 m
0753 PM 5,0 m
1408 BM 0,4 m
2000 PM 5,0 m

Quatro eventos no dia — duas preamares e duas baixa-mares —, o padrão semidiurno do Norte do país. E repare na amplitude: quase 4,7 m entre a baixa-mar e a preamar seguinte, num dia de Lua nova. É sizígia trabalhando.

O número da tábua não é a profundidade

Aqui está o ponto que dá nome a este artigo.

A altura que a tábua informa é a cota vertical entre o Nível de Redução e o nível do mar naquele instante. E o Nível de Redução (NR) é o plano a que são referidas tanto as alturas de maré quanto as sondagens — as profundidades representadas na carta náutica.

Daí a conta que resolve o problema real:

Profundidade real = sondagem da carta + altura da maré no instante

A sondagem é a distância vertical do NR ao fundo, num determinado local. A altura da maré é quanto de água há acima do NR naquele momento. Some as duas e você tem a água disponível.

O que é o Nível de Redução

O NR é, nas cartas náuticas brasileiras, o MLWSMean Low Water Springs, a média das baixa-mares de sizígia. É um nível abaixo do qual o mar não desce senão raramente.

Isso tem duas consequências opostas, e as duas caem em prova:

Em geral você encontra mais profundidade que a da carta. Como o NR fica no nível das baixa-mares de sizígia, na maior parte do tempo há água sobrando em relação ao número impresso.

Eventualmente, você encontra menos. O Manual é explícito: por ocasião das baixa-mares de sizígia, poderão ser encontradas profundidades menores que as constantes da carta. E é justamente nesses dias — e o número negativo na tábua é o aviso — que o baixio aparece.

Vale também não confundir os planos de referência: o Nível Médio (NM) é a altura média da superfície do mar em todos os estágios da maré, observada por período longo (maior que 18,6 anos), e é normalmente adotado como referência para altitudes — não para sondagens.

Por que a previsão pode não bater

A tábua é previsão astronômica: ela calcula a maré a partir das componentes harmônicas, que descrevem os efeitos gravitacionais. O que ela não calcula é o efeito meteorológico.

Vento persistente empurrando água para dentro ou para fora de uma baía, variação de pressão atmosférica e descarga fluvial deslocam o nível real em relação ao previsto. Não é erro da publicação: é uma parcela que ela, por construção, não modela.

A leitura prática: use a tábua para planejar, e olhe a água quando chegar. Em dia de vento forte de través, a margem que você calculou em casa pode não estar lá — razão a mais para consultar a previsão meteorológica antes de sair, como está em previsão do tempo para navegar.

FAQ

O que é a Tábua de Marés?

É a publicação editada anualmente pela DHN com a previsão de marés para dezenas de portos, terminais, barras, ilhas oceânicas e fundeadouros brasileiros, além de tabelas auxiliares e a tabela de fases da Lua.

Como leio as horas e alturas da tábua?

As horas vêm com quatro algarismos, no fuso local: os dois primeiros são horas, os dois seguintes minutos. As alturas vêm com dois algarismos, representando metros e decímetros, sempre como cota acima do Nível de Redução.

A altura da tábua é a profundidade do local?

Não. A profundidade real é a soma da sondagem da carta com a altura da maré no instante considerado.

O que é o Nível de Redução?

É o nível a que são referidas as alturas das marés e as sondagens das cartas. Nas cartas náuticas brasileiras corresponde normalmente ao MLWS, a média das baixa-mares de sizígia.

A maré pode ficar abaixo do nível de redução?

Pode, raramente. Na tábua, isso aparece como altura negativa — e é quando podem ser encontradas profundidades menores que as impressas na carta.

Por que a maré real difere da prevista?

Porque a previsão é astronômica e não incorpora o efeito meteorológico: vento persistente, variação de pressão e descarga fluvial deslocam o nível real.

Onde consulto a tábua de marés?

A publicação é editada pela DHN. O programa do exame de Arrais menciona o uso das Tábuas de Marés na alínea e, junto com o comportamento e as curvas de maré.

Quantos portos a tábua cobre?

Na edição de 2021, 54 portos, terminais, barras, ilhas oceânicas e fundeadouros brasileiros, relacionados do Norte para o Sul, mais o fundeadouro da Estação Antártica Comandante Ferraz.

Resumo

A Tábua de Marés da DHN traz, para cada dia e cada porto, as horas e alturas de preamares e baixa-mares. Horas em quatro algarismos, alturas em metros e decímetros, sempre como cota acima do Nível de Redução.

E a conta que importa: profundidade real = sondagem da carta + altura da maré. O NR das cartas brasileiras é o MLWS, a média das baixa-mares de sizígia — por isso, em geral, sobra água em relação à carta; nas baixa-mares de sizígia, pode faltar, e a altura negativa na tábua é o aviso.

Por fim, a previsão é astronômica. Vento, pressão e descarga fluvial não entram na conta — planeje pela tábua e confira a água no local.


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