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Balanço, caturro e cabeceio: os movimentos da embarcação

Por Equipe CarteiraNáutica ·

O mar cresceu na volta e o barco começou a se mexer de dois jeitos diferentes ao mesmo tempo: jogando de um lado para o outro e enterrando a proa a cada onda. Alguém no convés fica enjoado, alguém pede para reduzir, e você percebe que não sabe nomear o que está acontecendo — nem o que fazer para reduzir cada um dos dois movimentos.

Nomear ajuda, porque cada movimento tem uma causa e uma resposta diferente. Este artigo separa os movimentos que o programa da prova cobra, explica como a distribuição de peso a bordo muda o comportamento do barco e cobre o que fazer no enfrentamento de mau tempo. É conteúdo de bordo antes de ser conteúdo de prova.

O que o programa cobra

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O Anexo 5-A da NORMAM-211 traz o assunto na alínea i, e a redação é curta:

"Conhecimentos básicos de estabilidade de embarcações. Distribuição de peso a bordo, enfrentamento de mau tempo e movimentos de balanço, caturro e cabeceio."

São quatro coisas numa frase: estabilidade, distribuição de peso, mau tempo e os movimentos. Vale notar que este é um dos assuntos conceituais do programa — não há norma com número a decorar, e sim comportamento físico a entender. O programa completo, organizado por bloco de estudo, está em o que cai na prova de Arrais.

Os movimentos, pelos eixos

Uma embarcação flutuando se move em torno de três eixos e ao longo deles. Para o nível do Arrais, dois nomes resolvem quase tudo, e eles se distinguem pela direção.

Balanço — o movimento de um bordo ao outro, com a embarcação inclinando para bombordo e para boreste alternadamente. É o giro em torno do eixo longitudinal, aquele que vai da proa à popa. É o movimento que embrulha o estômago e o que derruba coisa de prateleira.

Caturro — o movimento de proa e popa, com a proa subindo e descendo enquanto a popa faz o oposto. É o giro em torno do eixo transversal, o que atravessa a embarcação de um bordo ao outro. É o movimento que bate o casco na onda e molha quem está à vante.

Cabeceio — o programa lista este terceiro termo na mesma alínea, ao lado de caturro, sem defini-lo separadamente. Na prática, ele descreve o mesmo movimento longitudinal da proa que sobe e desce. Não vale a pena procurar uma distinção fina que a norma não faz: para efeito de prova, o que importa é reconhecer que balanço é transversal e caturro é longitudinal.

Uma forma prática de guardar: balanço balança de lado; caturro cata a onda de proa.

Os dois raramente aparecem sozinhos. O que se sente na maior parte do tempo é a combinação dos dois, e ela depende do ângulo entre o seu rumo e a direção das ondas — assunto que volta no fim deste artigo.

Estabilidade: por que o barco volta

Estabilidade é a propriedade que faz a embarcação retornar à posição de equilíbrio depois que a força que a inclinou deixa de agir. É por isso que o barco jogado pela onda volta a ficar direito em vez de continuar deitando.

A ideia central, sem entrar na matemática que só o Capitão-Amador precisa: o peso da embarcação puxa para baixo a partir de um ponto, e o empuxo da água empurra para cima a partir de outro. Enquanto esses dois pontos estiverem posicionados de modo a gerar um esforço que desfaz a inclinação, o barco volta. Quando deixam de estar, ele não volta.

O que muda a posição desses pontos, no dia a dia de quem navega, é uma coisa só: onde está o peso.

Distribuição de peso a bordo

Este é o item da alínea que você controla diretamente, e vale mais do que qualquer teoria.

Peso baixo estabiliza; peso alto desestabiliza. Carga pesada no fundo, junto à quilha, ajuda o barco a voltar. A mesma carga sobre o teto da cabine ou no tope faz o contrário. É a razão de veleiro ter lastro embaixo.

Peso distribuído é melhor que peso concentrado. Bateria, âncora, caixa térmica e combustível empilhados num canto criam banda permanente — o barco navega inclinado, e a inclinação que a onda somar começa de um ponto pior.

Pessoas são carga móvel. Numa embarcação de recreio, o peso que mais se desloca são os passageiros. Todo mundo indo para o mesmo bordo ao mesmo tempo para ver alguma coisa é a causa clássica de susto — e, em embarcação pequena, de emborcamento. Vale combinar isso com a lotação, que a NORMAM-211 proíbe exceder, em relação ao estabelecido pelo construtor ou pela Capitania e constante do TIE.

Superfície livre é traiçoeira. Água solta no porão, ou num tanque parcialmente cheio, corre para o lado em que o barco inclinou e agrava a inclinação em vez de acompanhá-la passivamente. É o motivo de a bomba de esgoto estar na lista de equipamentos obrigatórios e de valer a pena esgotar antes que o volume cresça.

Enfrentamento de mau tempo

O terceiro item da alínea, e onde os dois movimentos voltam a se separar — porque a resposta é diferente para cada um.

Reduza a velocidade. É a primeira e mais eficaz medida. Boa parte da violência do caturro vem da velocidade com que a proa encontra a onda, não da onda em si. Reduzir transforma pancada em subida.

Escolha o ângulo em relação às ondas. Receber a onda exatamente de proa maximiza o caturro; recebê-la exatamente de través maximiza o balanço, e é a situação mais desconfortável e mais arriscada para embarcação pequena. Navegar com as ondas em ângulo, de amura, costuma reduzir os dois — em troca de um caminho mais longo, feito em pernas alternadas.

Não faça manobras bruscas. A guinada rápida com mar de través soma a inclinação da curva à inclinação da onda. A NORMAM-211 registra a recomendação de conduzir com prudência e em velocidade compatível, evitando manobras radicais.

Feche e amarre o que está solto. Escotilha aberta é entrada de água, e água a bordo é peso móvel na pior posição possível.

Todo mundo de colete. No mau tempo, colocar colete depois é tarde — as classes exigidas por área de navegação estão em material de salvatagem obrigatório.

E a decisão que vale mais que todas as técnicas: consultar a previsão antes de sair, e não enfrentar o que dava para evitar. As fontes que o programa nomeia estão em previsão do tempo para navegar.

Onde isso aparece na prova

O bloco de estabilidade é pequeno e conceitual, e costuma ser cobrado de três formas:

  • Nomear o movimento a partir da descrição — "o movimento de um bordo ao outro chama-se..."
  • Efeito da distribuição de peso — peso alto versus peso baixo, concentração de carga
  • Conduta em mau tempo — reduzir velocidade, evitar manobras bruscas, ângulo em relação às ondas

Repare que nenhuma dessas exige número. É um dos assuntos em que estudar o conceito rende mais do que memorizar, ao contrário dos blocos de norma, em que prazos e distâncias são o que cai.

Vale ainda a conexão com a prática: a estabilidade é o que explica por que a norma limita a lotação e por que a moto aquática tem regras próprias de posicionamento de passageiro — quem já sentiu a diferença entre um passageiro sentado e um passageiro em pé entendeu o assunto inteiro.

FAQ

Qual a diferença entre balanço e caturro?

Balanço é o movimento de um bordo ao outro, em torno do eixo que vai da proa à popa. Caturro é o movimento de proa e popa, em que a proa sobe e desce. Balanço é transversal, caturro é longitudinal.

O que é cabeceio?

É o terceiro termo que o programa do Anexo 5-A lista ao lado de caturro, descrevendo o movimento longitudinal da proa que sobe e desce. A norma não distingue os dois separadamente.

O que é estabilidade de uma embarcação?

É a propriedade de retornar à posição de equilíbrio depois que cessa a força que a inclinou. Ela depende, na prática do dia a dia, de onde está o peso a bordo.

Peso alto ou peso baixo, o que é melhor?

Peso baixo. Carga junto ao fundo ajuda a embarcação a voltar da inclinação; carga alta, sobre a cabine ou no tope, faz o contrário.

Por que água no porão é perigosa?

Porque ela corre para o bordo em que o barco inclinou, agravando a inclinação em vez de ficar parada. É o efeito de superfície livre, e é por isso que a bomba de esgoto é equipamento obrigatório.

Qual o melhor ângulo para enfrentar as ondas?

Receber a onda de proa maximiza o caturro e recebê-la de través maximiza o balanço. Navegar em ângulo, de amura, costuma reduzir os dois, ao custo de um caminho mais longo.

A primeira coisa a fazer quando o mar cresce?

Reduzir a velocidade. Boa parte da violência do caturro vem da velocidade com que a proa encontra a onda.

Esse assunto cai na prova de Arrais?

Sim, na alínea i do programa do Anexo 5-A: conhecimentos básicos de estabilidade, distribuição de peso a bordo, enfrentamento de mau tempo e os movimentos de balanço, caturro e cabeceio.

Resumo

Dois nomes resolvem o vocabulário: balanço é de um bordo ao outro, caturro é de proa e popa — e o programa acrescenta cabeceio para o mesmo movimento longitudinal, sem distingui-lo. Saber qual dos dois está dominando diz o que fazer, porque a resposta é diferente: caturro se combate reduzindo velocidade, balanço se combate mudando o ângulo em relação às ondas.

Por trás dos dois está a estabilidade, e o que você controla dela é o peso: baixo, distribuído e amarrado, com atenção às pessoas, que são a carga que mais se desloca, e à água solta no porão, que é a pior de todas porque corre para o lado errado. No mau tempo, a sequência é reduzir, escolher o ângulo, evitar manobra brusca, fechar o que está aberto e vestir colete — nessa ordem, e antes de precisar.


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CarteiraNáutica

Por Equipe CarteiraNáutica

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