Sinais de perigo e de socorro: os quinze que o RIPEAM reconhece
Por Equipe CarteiraNáutica ·
O motor morreu, o celular não pega e você está fora da vista da praia. A pergunta que aparece nesse instante é embaraçosamente prática: como se pede socorro na água? Acenar serve? Tem que ser aquele foguete vermelho que veio na caixa de segurança? E se você só tiver uma lanterna?
O RIPEAM responde com uma lista fechada. Não é uma sugestão de boas práticas: é o Anexo IV, e a Regra 37 remete diretamente a ele. São quinze sinais reconhecidos internacionalmente, e o programa do Anexo 5-A da NORMAM-211 cobra o assunto na alínea g, junto com o balizamento — "sinais de perigo e sinais diversos". Este artigo traz os quinze com o texto da norma, o que cada um exige na prática e a proibição que quase ninguém conhece.
O que a Regra 37 manda, e por que a lista é fechada
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A Regra 37 do RIPEAM é curta ao ponto de parecer preguiçosa:
"Quando uma embarcação se encontra em perigo e necessita de auxílio deverá usar ou exibir os sinais descritos no Anexo IV a este Regulamento."
Toda a substância está no anexo. E a construção dele importa: os sinais indicam perigo "usados ou exibidos em conjunto ou separadamente". Um sozinho já significa socorro — você não precisa combinar dois para ser levado a sério.
A lista ser fechada tem uma razão de segurança. Se qualquer luz vermelha ou barulho estranho pudesse significar socorro, ninguém saberia distinguir emergência de festa. O preço dessa clareza é a contrapartida do item 2 do anexo, que trataremos no fim: usar esses sinais fora de emergência é proibido.
Os quinze sinais, como a norma os lista
O Anexo IV enumera de (a) a (o). Vale ler a lista inteira uma vez na vida, porque ela mistura o antigo e o moderno na mesma respiração — barril de alcatrão queimando convive com alerta por satélite.
| Sinal | |
|---|---|
| a | um tiro de canhão ou outro sinal explosivo, soado em intervalos de cerca de um minuto |
| b | um toque contínuo de qualquer aparelho de sinalização de cerração |
| c | foguetes ou granadas lançando estrelas encarnadas, disparados um de cada vez, em intervalos curtos |
| d | um sinal constituído pelo grupo ...---... (SOS) do Código Morse, por qualquer método de sinalização |
| e | um sinal por radiotelefonia constituído pela palavra falada "Mayday" |
| f | o sinal de perigo do Código Internacional de Sinais indicado por N.C. |
| g | uma bandeira quadrada tendo acima ou abaixo uma esfera, ou qualquer coisa semelhante a uma esfera |
| h | chamas a bordo da embarcação (queima de barril de alcatrão, óleo etc.) |
| i | um foguete luminoso com paraquedas ou uma tocha manual, exibindo luz encarnada |
| j | um sinal de fumaça desprendendo fumaça de cor alaranjada |
| k | movimentos lentos para cima e para baixo com os braços esticados para os lados |
| l | alerta de perigo por Chamada Seletiva Digital (DSC) |
| m | alerta de perigo do navio para terra por Inmarsat ou outro provedor de serviço móvel por satélite |
| n | sinais transmitidos por radiobalizas de emergência indicadoras de posição |
| o | sinais aprovados transmitidos por sistemas de radiocomunicação, incluindo respondedores radar de embarcações de sobrevivência |
Para o DSC, o anexo especifica as frequências: VHF canal 70, ou MF/HF em 2187,5 kHz; 8414,5 kHz; 4207,5 kHz; 6312 kHz; 12577 kHz ou 16804,5 kHz.
Os quatro que interessam a quem navega em embarcação de recreio
Quinze é muita coisa para decorar, e a maior parte da lista não é para você — tiro de canhão e Inmarsat não estão a bordo de um barco de passeio. Na prática do amador, quatro sinais concentram tudo.
O gesto com os braços — alínea (k). É o único sinal que não custa nada e está sempre disponível. Repare na descrição: movimentos lentos, para cima e para baixo, com os braços esticados para os lados. Não é acenar. Acenar rápido com uma mão é cumprimento; o sinal de socorro é lento e usa os dois braços abertos, subindo e descendo. A diferença entre os dois gestos é literalmente a diferença entre ser cumprimentado de volta e ser socorrido.
"Mayday" no rádio — alínea (e). A palavra falada é o sinal. É a forma mais rápida de comunicar perigo a quem pode agir, e por isso o VHF em escuta permanente é o que é.
Os pirotécnicos — alíneas (c), (i) e (j). Foguete lançando estrelas encarnadas, foguete luminoso com paraquedas, tocha manual de luz encarnada e fumígeno de fumaça alaranjada. Repare no padrão de cor que atravessa o anexo: encarnado para luz, alaranjado para fumaça. Luz verde ou branca não é sinal de perigo, e fumaça de qualquer outra cor também não. Quais pirotécnicos são obrigatórios a bordo depende da área de navegação — a lista está em material de salvatagem obrigatório.
O toque contínuo — alínea (b). Qualquer aparelho de sinalização de cerração soando sem parar. É aqui que o apito do colete deixa de ser acessório: contínuo, ele é sinal de socorro reconhecido. Note o contraste com os sinais sonoros do RIPEAM, que são todos intermitentes e contados — um curto, dois curtos, cinco curtos. O sinal de perigo é o que não para.
N.C. e a bandeira com a esfera
Duas alíneas do anexo são visuais e merecem explicação, porque aparecem em prova e quase nunca em blog.
N.C. — alínea (f). É o sinal de perigo do Código Internacional de Sinais, formado pelo içar das duas bandeiras November e Charlie, nessa ordem. Não é preciso decorar o alfabeto inteiro de bandeiras para o exame de Arrais: o que a norma cita como sinal de perigo é essa combinação específica.
A bandeira quadrada com a esfera — alínea (g). Uma bandeira quadrada, de qualquer cor, tendo acima ou abaixo uma esfera ou qualquer objeto que se pareça com uma esfera. É o sinal improvisável do anexo: serve uma toalha amarrada e um balde ou uma boia redonda acima dela. Foi pensado justamente para quem não tem material de sinalização a bordo.
O item 3 do anexo ainda chama atenção para dois sinais complementares, voltados à identificação aérea por aeronaves de busca: um pedaço de lona de cor laranja com um círculo e um quadrado preto ou outros símbolos apropriados, e um corante de água.
A proibição que vem junto
Este é o parágrafo que mais cai e menos se comenta. O item 2 do Anexo IV:
"É proibida a utilização ou a exibição de qualquer dos sinais acima, ou de outros sinais que possam ser confundidos com qualquer deles, exceto com a finalidade de indicar perigo e necessidade de auxílio."
Leia com atenção o que está proibido. Não é só usar um sinal de socorro sem emergência — é também usar qualquer sinal que possa ser confundido com um deles. Soltar um sinalizador vermelho na virada do ano, testar o foguete "para ver se funciona", acender fumígeno alaranjado para foto: tudo isso está vedado pela mesma frase.
A razão é operacional. Cada sinal falso mobiliza busca e salvamento, e o efeito acumulado é a lentidão de resposta ao sinal verdadeiro. Se você precisa descartar pirotécnicos vencidos, o caminho é a destinação adequada, nunca o disparo.
Onde o assunto aparece na prova
O programa do Anexo 5-A da NORMAM-211 reúne o tema na alínea g: "Sistema de Balizamento Marítimo da IALA região 'B', sinais de perigo e sinais diversos". O Anexo 3-C da NORMAM-212 traz o mesmo assunto para o Motonauta.
Isso significa que sinais de perigo dividem bloco com o balizamento IALA região B — os dois costumam ser cobrados juntos, e é um bloco de retorno alto para estudar, porque é memorização curta e objetiva. As formas de cobrança mais comuns:
- Identificação de cor. "Qual a cor da fumaça do sinal de perigo?" — alaranjada. "E da luz?" — encarnada.
- Reconhecimento do gesto. Descrição do movimento de braços pedindo o significado.
- Distinção. Diferenciar sinal de perigo (Regra 37 e Anexo IV) de sinal para chamar atenção (Regra 36) e de sinal de manobra (Regra 34).
Essa última é a pegadinha clássica, e vale fixar: cinco apitos curtos não são pedido de socorro. São o sinal de dúvida da Regra 34(d). Socorro sonoro é o toque contínuo.
FAQ
Quais são os sinais de perigo no mar?
O Anexo IV do RIPEAM lista quinze, entre eles o SOS em Morse, a palavra "Mayday" no rádio, foguetes de estrelas encarnadas, foguete com paraquedas, tocha manual de luz encarnada, fumaça alaranjada, o sinal N.C. do Código Internacional de Sinais, a bandeira quadrada com uma esfera, o toque contínuo de aparelho de cerração e os movimentos lentos de braços.
Como pedir socorro sem nenhum equipamento a bordo?
Com o sinal da alínea (k): movimentos lentos para cima e para baixo, com os braços esticados para os lados. É o único da lista que não depende de equipamento algum, e é reconhecido internacionalmente.
Qual é a cor do sinal de fumaça de socorro?
Alaranjada. A norma é específica: fumaça de cor alaranjada. Para sinais luminosos, a cor é encarnada.
O que significa N.C. no Código Internacional de Sinais?
É o sinal de perigo do Código, citado na alínea (f) do Anexo IV, formado pelas bandeiras November e Charlie içadas nessa ordem.
Cinco apitos curtos são pedido de socorro?
Não. Cinco apitos curtos e rápidos são o sinal de dúvida da Regra 34(d), usado quando não se entende a intenção de manobra da outra embarcação. O sinal sonoro de perigo é o toque contínuo de qualquer aparelho de sinalização de cerração.
Posso soltar um sinalizador só para testar?
Não. O item 2 do Anexo IV proíbe usar ou exibir esses sinais, ou qualquer sinal que possa ser confundido com eles, exceto para indicar perigo e necessidade de auxílio.
Sinal para chamar atenção é a mesma coisa que sinal de perigo?
Não. Chamar atenção é a Regra 36, e exige justamente sinais que não possam ser confundidos com os do Regulamento. Perigo é a Regra 37, que remete ao Anexo IV.
Onde esse assunto cai na prova de Arrais?
Na alínea g do programa do Anexo 5-A da NORMAM-211, que reúne balizamento IALA região "B", sinais de perigo e sinais diversos. Para o Motonauta, o mesmo assunto está no Anexo 3-C da NORMAM-212.
Resumo
Pedir socorro na água é um ato regulado, não improvisado. O Anexo IV do RIPEAM lista quinze sinais reconhecidos, e um só deles já basta — não é preciso combinar. Para quem navega em embarcação de recreio, quatro resolvem quase tudo: os braços esticados subindo e descendo, "Mayday" no rádio, os pirotécnicos de luz encarnada e fumaça alaranjada, e o toque contínuo do apito.
Guarde as duas cores, porque elas organizam metade da lista: luz encarnada, fumaça alaranjada. E guarde a proibição, porque ela também cai: nenhum desses sinais pode ser usado fora de emergência, nem qualquer outro que possa ser confundido com eles. O sinal falso de hoje é a demora no socorro de amanhã.
Sinais de perigo dividem bloco com o balizamento na prova, e é memorização de retorno alto. Faça um simulado grátis — questões no formato do exame da Marinha, com gabarito comentado citando a regra do RIPEAM em cada resposta.
Por Equipe CarteiraNáutica
Escrevemos sobre a habilitação náutica amadora da Marinha — Arrais-Amador, Motonauta, Mestre-Amador — sempre com a norma de origem citada na resposta.