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Bandeiras náuticas: as que a norma exige e as que não caem na prova

Por Equipe CarteiraNáutica ·

Você abriu um material de estudo e encontrou uma prancha com 26 bandeiras coloridas, cada uma com um nome estranho e um significado próprio. A sensação imediata é de que decorar aquilo é parte de tirar a carteira, e que você acabou de descobrir tarde um assunto enorme.

Não é. O programa oficial do Arrais-Amador não lista o Código Internacional de Sinais entre os assuntos da prova. Mas isso não quer dizer que bandeira nenhuma importe: existem três que a NORMAM-211 cita nominalmente, uma delas com obrigação de uso e outra com dever de se manter afastado. Este artigo separa o que a norma realmente exige do que virou lenda de apostila.

O que o programa do Arrais realmente diz

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Vale começar pela fonte, porque é ela que resolve a dúvida. O programa está no Anexo 5-A da NORMAM-211, item 3.1, e lista dez assuntos. Os que chegam perto de bandeiras são dois:

  • alínea g — "Sistema de Balizamento Marítimo da IALA região 'B', sinais de perigo e sinais diversos"
  • alínea h — "Conhecimentos do sistema de comunicação móvel marítimo em VHF (fixo e portátil): equipamentos, procedimentos, frequências de chamada de rotina, de socorro, de urgência, de segurança e trânsito"

Em nenhum ponto aparece "Código Internacional de Sinais" como matéria a estudar. Onde o Código aparece de fato no programa de amador é um degrau acima: o exame de Capitão-Amador tem "Comunicações" como assunto próprio, com conteúdo bem mais largo. Se você está tirando o Arrais, essa prancha de 26 bandeiras não é sua tarefa.

O que existe é o oposto: um punhado pequeno de bandeiras que a norma cita, e que valem por obrigação prática, não por memorização.

A bandeira Alfa: a única com obrigação de içar

Esta é a bandeira que mais importa para quem navega, e ela vem do Código Internacional de Sinais — a letra A, Alfa. A NORMAM-211 é literal quanto ao significado:

"Toda embarcação impossibilitada de manobrar em apoio à atividade de mergulho Amador, no período diurno, deverá exibir a bandeira 'Alfa', que significa: 'tenho mergulhador na água, mantenha-se afastado e a baixa velocidade'."

Três detalhes da regra que costumam escapar:

É no período diurno e para quem está impossibilitado de manobrar. A obrigação recai sobre a embarcação de apoio ao mergulho amador que não pode sair do lugar — justamente porque tem gente embaixo dela.

Ela pode subir acompanhada. A norma permite que a Alfa seja içada em conjunto com a bandeira vermelha com faixa transversal branca, a bandeira específica da atividade de mergulho amador. São duas bandeiras diferentes, com o mesmo recado, e é comum ver as duas juntas.

Tem altura mínima. A bandeira deve ser colocada na embarcação de apoio a um metro de altura, no mínimo, e devem ser tomadas precauções para assegurar sua visibilidade em todos os setores. Bandeira escondida atrás da cabine não cumpre a norma.

O dever de quem vê a bandeira Alfa

Aqui a bandeira deixa de ser assunto de quem mergulha e passa a ser assunto de todo mundo. A NORMAM-211, nas prescrições de caráter geral, coloca entre as regras que toda embarcação deve obedecer:

"as embarcações devem manter-se afastadas daquelas que estiverem exibindo a bandeira Alfa do Código Internacional de Sinais ou uma bandeira encarnada com transversal branca, indicando atividades de mergulhadores."

Ou seja: reconhecer a Alfa não é curiosidade cultural, é obrigação de conduta. Passar perto e rápido de uma embarcação que a exibe é descumprir a norma — e, muito mais grave, é passar de motor ligado por cima de alguém que está na água e não consegue ser visto.

Vale ligar isso à regra vizinha, do mesmo capítulo: não é permitido movimentar propulsores havendo perigo de acidentes com pessoas que estejam na água. A bandeira Alfa é, na prática, o aviso antecipado dessa situação.

A Bandeira Nacional: quando é obrigatório arvorar

Esta não vem do Código Internacional de Sinais, mas é a bandeira que a norma regula com mais detalhe — e cai como conhecimento de NORMAM-211, que é a alínea j do programa.

As embarcações de esporte e/ou recreio inscritas nas Capitanias ou registradas no Tribunal Marítimo, exceto as miúdas, devem usar na popa a Bandeira do Brasil em quatro situações:

Situação
1 na entrada e saída dos portos
2 quando trafegando à vista de outra embarcação, de povoação ou de farol com guarnição
3 em porto nacional, das 08:00 horas ao pôr do sol
4 em porto estrangeiro, acompanhando o cerimonial do país

Duas coisas para reter. A dispensa das miúdas — as de até seis metros — segue o padrão de aliviar exigências dessa classe, o mesmo raciocínio detalhado em embarcação miúda. E o horário de porto nacional é bem definido: das oito da manhã ao pôr do sol, não "durante o dia".

Repare que a segunda situação é a mais ampla e a menos lembrada: trafegar à vista de outra embarcação já basta para a obrigação existir.

N.C.: as duas bandeiras que significam socorro

Se há uma combinação de bandeiras do Código que vale conhecer no nível do amador, é esta — e ela chega ao programa por um caminho diferente, pela alínea g, "sinais de perigo".

O Anexo IV do RIPEAM, que a Regra 37 invoca, lista entre os sinais de perigo:

"o sinal de perigo do Código Internacional de Sinais indicado por N.C."

São as bandeiras November e Charlie, içadas nessa ordem. É o único uso de bandeiras do Código que o RIPEAM eleva a sinal de socorro reconhecido internacionalmente.

O mesmo Anexo IV traz ainda um sinal visual improvisável, que não é bandeira do Código mas funciona como uma: uma bandeira quadrada tendo acima ou abaixo uma esfera, ou qualquer coisa parecida com uma esfera. Serve pano de qualquer cor com um balde ou boia redonda por cima. A lista completa está em sinais de perigo e de socorro.

Então o que estudar, afinal

Reduzindo ao essencial, quatro itens cobrem todo o assunto de bandeiras no nível do Arrais e do Motonauta:

  1. Alfa — mergulhador na água; obrigatória para a embarcação de apoio, no diurno, a pelo menos um metro de altura
  2. Encarnada com transversal branca — bandeira de mergulho amador; pode subir junto com a Alfa
  3. Bandeira Nacional — nas quatro situações do item 4.2, com dispensa das miúdas
  4. N.C. — sinal de perigo do Código Internacional de Sinais, pelo Anexo IV do RIPEAM

O que não é tarefa do Arrais: decorar as 26 bandeiras alfabéticas, os galhardetes numéricos, as cornetas substitutas ou o galhardete distintivo do Código. Esse conteúdo pertence ao universo de Comunicações, que aparece como assunto próprio no programa de Capitão-Amador — a comparação entre as categorias está em Mestre-Amador.

Este é, aliás, um bom exemplo de como material desatualizado ou copiado sem conferência inflaciona o estudo. Vale sempre voltar ao programa do Anexo 5-A e comparar: se o assunto não está lá, ele não é prioridade.

FAQ

O que significa a bandeira Alfa?

"Tenho mergulhador na água, mantenha-se afastado e a baixa velocidade". É o texto da própria NORMAM-211. Ela é obrigatória, no período diurno, para a embarcação impossibilitada de manobrar em apoio ao mergulho amador.

A que altura a bandeira Alfa deve ser içada?

No mínimo um metro, na embarcação de apoio, com precauções para assegurar sua visibilidade em todos os setores.

O que fazer ao ver uma bandeira Alfa ou uma bandeira vermelha com faixa branca?

Manter-se afastado. A NORMAM-211 impõe esse dever a todas as embarcações, porque há mergulhadores na água.

Quando é obrigatório usar a Bandeira do Brasil na embarcação?

Na entrada e saída de portos; ao trafegar à vista de outra embarcação, de povoação ou de farol com guarnição; em porto nacional das 08:00 ao pôr do sol; e em porto estrangeiro, conforme o cerimonial local. Embarcações miúdas são dispensadas.

As bandeiras do Código Internacional de Sinais caem na prova de Arrais?

O programa do Anexo 5-A da NORMAM-211 não lista o Código Internacional de Sinais entre os assuntos do exame de Arrais-Amador. O que aparece são a bandeira Alfa, por força da NORMAM-211, e o sinal N.C., por força do Anexo IV do RIPEAM. Comunicações é assunto próprio no programa de Capitão-Amador.

O que quer dizer o sinal N.C.?

É o sinal de perigo do Código Internacional de Sinais, formado pelas bandeiras November e Charlie içadas nessa ordem. Está na alínea (f) do Anexo IV do RIPEAM.

Preciso decorar as 26 bandeiras do alfabeto náutico?

Para o exame de Arrais-Amador, não. O programa não traz esse conteúdo. Vale conhecer a Alfa, pela obrigação prática, e o N.C., por ser sinal de perigo.

Resumo

Bandeira náutica é um assunto que parece maior do que é. Para quem tira Arrais ou Motonauta, a prancha de 26 bandeiras do Código Internacional de Sinais não está no programa — ela pertence a Comunicações, assunto do exame de Capitão-Amador.

O que a norma exige de você cabe em quatro: a Alfa, com significado literal na NORMAM-211 e obrigação de içar a pelo menos um metro; a bandeira de mergulho encarnada com transversal branca, que pode acompanhá-la; a Bandeira Nacional, nas quatro situações do item 4.2, com as miúdas dispensadas; e o N.C., sinal de perigo pelo Anexo IV do RIPEAM. Das quatro, a que muda seu comportamento na água todo fim de semana é a primeira — ver a Alfa significa afastar-se e reduzir, porque há alguém embaixo que você não enxerga.


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